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Nesta seção você encontrará algumas das matérias sobre birdwatchin, e outros assuntos, nas quais estou envolvido.
Fechar <-- A ACESSIBILIDADE NAS PÁGINAS WEB PARA OS DEFICIENTES VISUAIS.
Nesse texto pretendo mostrar, de uma maneira amigável, como está o mundo virtual "internet" para nós, pessoas que possuem algum tipo de limitação visual.
Trato também das maneiras como podemos navegar pela rede de redes, os problemas que costumeiramente encontramos e também as alegrias que vivenciamos em nosso dia a dia.
Lembrarei, ainda, do interesse, por parte dos web designers para facilitar o entendimento e o aproveitamento de uma página web para um deficiente visual que esteja acessando-a de seu computador com a ajuda de um leitor de tela, ou seja, de maneira totalmente independente.
A remissão que faço o conceito de independência é muito importante, pois, antes deste grande boom tecnológico, dependíamos sempre da ajuda de alguma pessoa que emprestasse seus olhos pelo menos por alguns minutos para ler as informações que nos interessavam.
Antes de tudo é necessário explicar o que é um leitor de tela e como esse software traduz todas as informações apresentadas de uma forma simples e direta. Essa inovação surgiu há alguns anos, quando várias empresas brasileiras e do exterior preocuparam-se em desenvolver ferramentas capazes de nos ajudar, destacando o pioneirismo do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro com o projeto Dosvox.
Tais mecanismos, por meio de uma voz sintetizada, decodificam as mensagens em forma de dados transmitidos pela placa de vídeo, transformando-as em textos audíveis. Esse salto tecnológico não apenas permite o acesso a uma página web, mas a todas as funções de um sistema operacional compatível.
Parece simples, mas nem tudo é moleza! Embora a web seja algo extremamente dinâmico onde a cada dia aparecem novas linguagens e recursos como o Flash, Java e muitos outros, o que se observa é que tais avanços acabam por serem verdadeiros retrocessos no quesito acessibilidade.
As várias páginas da internet podem ser diferenciadas em três categorias, que detalho a seguir.
CATEGORIA 1: Acessíveis. São sítios nos quais as informações são apresentadas e podem ser decodificadas pelo leitor de tela com tal ordem e clareza que a assimilação torna-se viável. Isso ocorre porque o código do site está preparado para isso.
Em um sítio de notícias, por exemplo, ela é apresentada da seguinte maneira: Nível 1: Política; Nível 2: Manchete; Nível 3: Subtítulo; Nível 4: o detalhe em si. Um leitor de tela, nesse caso, possui atalhos de teclado que permitem rapidamente um rápido deslocamento para qualquer nível da informação apresentada.
Além disso, os sites dessa categoria possuem descrições de imagens, de forma que não aparecem links com números e letras, caracteres esses que são incompreensíveis para um deficiente visual. Também não possuem as temidas caixas anti-spam pedindo para digitar letras que aparecem em uma imagem que não pode ser codificada por um leitor de tela e, ainda, esses sites têm caixas de busca e cadastro organizadas e etiquetadas.
CATEGORIA 2: Sites Navegáveis. São aqueles em que a informação é mostrada, mas sem que o web-designer tenha desenvolvido nenhum mecanismo de acessibilidade para que uma pessoa, auxiliada por um leitor de tela, possa usufruir de seu conteúdo tal e qual ele é mostrado.
Nesse caso, o software assume um comportamento padrão para transmitir a informação, o que nem sempre é possível por diversos motivos, dentre os quais cito os seguintes: aparição de links no meio do texto, dificultando a leitura; imagens sem descrição , fazendo com que o usuário não possa compreender o que se está discutindo; e, ainda, atualizações de tela constantes, o que dificulta uma leitura contínua do artigo, notícia, mensagem etc.
CATEGORIA 3: Páginas da web inacessíveis. Esse é, infelizmente, o tipo mais comum na internet. Tais sites apresentam um conteúdo impraticável para qualquer leitor de tela. Apresentam, por exemplo, animações flash que aparecem e somem sem que seja possível ler o texto ali apresentado. Também têm desenhos sem nenhuma informação textual e sim em formato de imagem sem qualquer legenda.
Outras características desses sites são: conteúdo que se desloca na tela, fazendo com que o leitor perca o cursor da leitura; formulários, de busca ou inscrição, sem as necessárias etiquetas que permitam ao leitor de tela falar: “nome”, “cidade” ou “e-mail” (com isso o usuário não pode saber se está escrevendo a informação certa na caixa correspondente); verificadores de spam sem ajuda sonora. Dentre esses poucos exemplos estão outros, um sem fim de pequenos detalhes que fazem toda a diferença na hora de aproveitar os recursos do site em questão.
Até agora só apresentei problemas. Em vez de somente reclamar, quero apresentar soluções para evitar – na medida do possível – que os deficientes visuais sejam cerceados do direito de acessar aos web sites da categoria 3.
O World Wide Web Consortium criou uma série de regras direcionadas aos webmasters, aos desenvolvedores de ferramentas de produção de web sites e também direcionadas aos produtores de navegadores web . A ideia é que, juntos, possam trabalhar a favor de uma web mais aberta para todos. Tais diretrizes, felizmente, vêm sendo adotadas por várias companhias dos três setores ocupados por esses profissionais.
Assim, poderia ser criada ou ampliada uma via de contato com os webmasters para que estes pudessem receber dicas e sugestões de usuários utilizadores de softwares leitores de tela, detalhando a experiência de navegar no site em questão e dando a ele s a oportunidade de contornar os problemas apresentados.
Estética e acessibilidade podem conviver?
Muitas pessoas me perguntam se, para servir a um público que inclua os deficientes visuais, as páginas dos sites podem apresentar estética e acessibilidade sem conflitos. A minha resposta é sempre “sim”. Isso porque acredito em um equilíbrio entre esses dois parâmetros e principalmente porque sei que tudo pode acontecer quando há boa vontade de ambas as partes.
Essa situação, no entanto, não será fácil de ser transformada em realidade. Alguns sites, por exemplo, adotam uma estranha forma de se separarem em dois, ou seja, um que seria supostamente “normal” e outro, feito para leitores de tela. Eu sou contra esse tipo de atitude, porque muito da informação que aparece na página principal, deixa de ser inserida na alternativa (leitores de tela). Nunca entendi o porquê disso.
Afinal, as ferramentas de acessibilidade estão à completa disposição dos desenvolvedores, entretanto, não são utilizadas como deveriam . Isso é algo que me deixa inconformado, ou seja, a subutilização de um recurso importante, que colocaria em iguais condições qualquer tipo de usuário, deficiente visual ou não.
Uma experiência gratificante.
Para finalizar, vou descrever como uma simples troca de e-mails a partir de um blog tornou-se perfeitamente acessível para qualquer usuário.
Numa lista de discussão, um integrante interessado no assunto “acessibilidade”, perguntou-me se eu poderia entrar no blog sobre aves que ele havia criado e, a partir dele, verificar se era possível acessar todas as informações. Além disso, ainda quis saber o que poderia fazer para melhorar, caso houvesse algum recurso que não estivesse ao alcance.
Rapidamente acessei o site e me deparei com diversos posts recheados de imagens sem nenhum tipo de referência descritiva; eu lia o post, mas ficava com um incômodo dissabor, pois não tinha cem por cento de certeza do que estava sendo discutido.
Entrei em contato com o administrador e expliquei o que acontecera, bem como forneci algumas dicas para resolver o problema, ou seja, a simples inserção de algumas linhas de código a mais, etiquetando cada imagem do blog com umas três ou quatro palavras, mudando os atributos da imagem de forma que ela fizesse sentido para mim.
O mais surpreendente do caso foi a rapidez da resposta! Em menos de uma hora, fui convidado mais uma vez para acessar o blog e, dito e feito : cada foto da postagem tinha uma breve descrição do que era mostrado. Não foi uma reformulação completa do blog e sim um detalhe que fez toda a diferença.
Graças a isso, podemos perceber que muitas coisas podem ser mudadas e isso nem sempre precisa de muito tempo ou esforço. Basta um pouco de boa vontade.
Para encerrar, lembro-me de uma frase do autor francês Antoine de Saint-Exupéry que resume tudo que aqui expus: “...o essencial é invisível aos olhos ”.
JUAN PABLO CULASSO ALONSO